
Enxaqueca: por que ela continua voltando?
Entenda por que a enxaqueca pode voltar mesmo sem gatilho aparente e como a neuroplasticidade pode ajudar a reduzir a sensibilidade do cérebro.
Enxaqueca: por que ela continua voltando?
Se você sofre com enxaqueca, provavelmente conhece esta situação.
Você melhora.
Passa alguns dias bem.
Às vezes algumas semanas.
Então, sem aviso, a crise volta.
E surge a pergunta:
"Por que isso continua acontecendo?"
Muitas pessoas passam anos acreditando que a enxaqueca é apenas um problema dos vasos sanguíneos, dos hormônios ou de algum alimento específico.
Mas hoje sabemos que a história é muito mais complexa.
E entender essa história pode mudar completamente a forma como você encara suas crises.
O cérebro da pessoa com enxaqueca é diferente?
De certa forma, sim.
A enxaqueca não acontece porque você é fraco.
Não acontece porque está imaginando os sintomas.
E não acontece porque existe algum defeito moral ou psicológico.
A enxaqueca é uma condição neurológica real.
Pesquisas mostram que o cérebro de pessoas com enxaqueca costuma ser mais sensível a determinados estímulos.
- Luz.
- Barulho.
- Cheiros.
- Alterações no sono.
- Estresse.
- Mudanças hormonais.
- Mudanças na rotina.
É como se o sistema de alarme fosse mais reativo.
O problema nem sempre é o gatilho
Muitas pessoas passam anos tentando encontrar o gatilho perfeito.
- Chocolate.
- Café.
- Queijo.
- Vinho.
- Luz.
- Clima.
- Estresse.
Mas existe uma questão importante.
Se o problema fosse apenas o gatilho, todas as pessoas expostas a ele teriam enxaqueca.
E isso claramente não acontece.
O que realmente importa é o estado de sensibilidade do cérebro naquele momento.
Pense em um copo
Imagine que seu cérebro possui um copo.
Durante o dia, várias coisas vão enchendo esse copo:
- Noite mal dormida
- Estresse
- Preocupações
- Sobrecarga mental
- Sensibilidade à luz
- Alterações hormonais
- Tensão emocional
Quando o copo transborda, a crise aparece.
Por isso a enxaqueca muitas vezes parece surgir "do nada".
Na realidade, o cérebro já vinha acumulando sinais de alerta há algum tempo.
Por que a enxaqueca pode se tornar mais frequente?
O cérebro aprende.
Isso se chama neuroplasticidade.
É a capacidade que o cérebro possui de criar e fortalecer conexões.
A neuroplasticidade é responsável por aprendermos idiomas, esportes e novas habilidades.
Mas ela também participa dos processos de dor.
Quanto mais frequentemente o sistema de alarme é ativado, mais sensível ele pode se tornar.
Por isso algumas pessoas percebem que as crises ficam cada vez mais frequentes ao longo dos anos.
O ciclo que mantém a enxaqueca ativa
Muitas vezes ocorre um ciclo como este:
Crise.
Medo da próxima crise.
Hipervigilância.
Evitação de atividades.
Mais estresse.
Mais sensibilidade.
Nova crise.
O cérebro começa a viver esperando o próximo episódio.
E essa expectativa constante pode aumentar ainda mais o estado de alerta.
A boa notícia
O cérebro muda.
Sempre.
A pergunta não é se ele muda.
A pergunta é:
Para qual direção ele está sendo treinado?
Assim como o cérebro pode aprender padrões de hipersensibilidade, ele também pode aprender padrões de segurança.
O que você pode começar a fazer hoje?
1. Entenda sua condição
Quanto menos misteriosa a enxaqueca parece, menos ameaçadora ela se torna para o cérebro.
Conhecimento reduz medo.
E medo é um combustível importante para o sistema de alarme.
2. Pare de viver apenas evitando gatilhos
Evitar tudo pode fazer sua vida ficar cada vez menor.
O objetivo não é ignorar gatilhos importantes.
Mas também não é viver tentando controlar cada detalhe do ambiente.
3. Cuide do sono
Poucas coisas influenciam tanto a sensibilidade cerebral quanto o sono.
Regularidade costuma ser mais importante do que perfeição.
4. Pratique técnicas de regulação do sistema nervoso
Respiração lenta.
Atenção plena.
Relaxamento.
Momentos de recuperação ao longo do dia.
Tudo isso ajuda a reduzir o estado geral de alerta.
5. Continue vivendo
Muitas pessoas começam a organizar a vida inteira em torno da enxaqueca.
O cérebro aprende aquilo que recebe atenção constante.
Por isso é importante continuar investindo em:
- Relacionamentos
- Hobbies
- Movimento
- Trabalho
- Objetivos pessoais
Você é muito maior do que suas crises.
O erro mais comum
A maioria das pessoas mede o sucesso perguntando:
"Quantas crises tive esta semana?"
Essa informação é importante.
Mas existe outra pergunta que também importa:
"Hoje eu ajudei meu cérebro a se sentir mais seguro?"
Porque a melhora costuma acontecer quando reduzimos gradualmente a sensibilidade do sistema de alarme.
Existe esperança?
Sim.
Milhões de pessoas convivem com enxaqueca.
E a ciência moderna entende muito mais sobre o funcionamento dessa condição do que entendia há algumas décadas.
Hoje sabemos que a enxaqueca não é apenas um problema de dor de cabeça.
Ela envolve redes cerebrais relacionadas à atenção, percepção, proteção e processamento de ameaças.
E isso abre novas possibilidades de tratamento e recuperação.
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